• Olá visitante, seja bem-vindo!
    Entrar | Cadastre-se
  • Tempo Hoje
    SP, Araçatuba
    min 22º
    máx 29º
  • Quarta, 16 de Agosto de 2017
    • Facebook
    • Twitter
    • Pinterest
    • Instagram
    • Youtube
    • Rss

Coluna Social / 22 de Dezembro de 2016 15h35


Entre a coragem e a apatia

0 votos
/
-
matérias
João Cássio, especial para o AtaNews
Compartilhe no Twitter Compartilhe no Google Plus Compartilhe no Pinterest
Depois de narrar a pirâmide de fatos criteriosamente ordenados segundo a gravidade (queda de avião, corrupção e tráfico de drogas), o apresentador do noticiário finalmente esboça o sorriso discreto que precede a leitura da reportagem final da edição – aquela que antecede a novela –, a mais leve e inspiradora de todas: "Pela primeira vez, o vencedor do Nobel de Literatura é um músico: o cantor e compositor, Bob Dylan. Ele criou novas expressões poéticas dentro da tradição de canções americanas".

Era o mais importante prêmio da Literatura Mundial – concedido pela primeira vez a um músico – anunciado no mais importante jornal do país. (O que está na Educação, na Política e nas Artes esteve antes na Literatura. O registro simbólico da palavra é a maior forma de transmissão de conhecimento, sem o qual não seria possível estabelecer uma cultura.)

No sofá, o casal acompanha sem piscar o magnetismo da sucessão de imagens narradas pela voz do repórter. Enquanto assistia, o marido se lembrava de quando tocava músicas de Dylan na época que sonhava ser astro de rock (e que depois foi convencido a buscar a carreira de advogado). A esposa até tinha ouvido versões traduzidas das canções do astro nas vozes de Humberto Guessinger e Samuel Rosa, sem saber da verdadeira autoria.

Naquela noite, o mundo se rendia a Bob Dylan, artista com rara capacidade de transformar impressões em palavras que tocam o coração das pessoas. Foi ele quem concebeu Masters Of War: “Vocês que constroem as bombas grandes/Vocês que se escondem atrás de paredes/ Vocês que se escondem atrás de mesas /Eu só quero que vocês saibam /Que eu vejo através das suas máscaras”. E Blowing In The Wind: “Quantos oceanos uma pomba branca deve navegar/Pra poder dormir na areia?/Sim e quantas vezes as balas de canhão devem voar/Antes de serem banidas pra sempre?"

Mas na opinião de um dos entrevistados pelo jornal, Robert Allen Zimmerman (Bob Dylan) é só um homem comum que enxerga e traduz as atrocidades de um mundo doente. “A diferença está na coragem de usar o próprio trabalho para mostrar isso aos demais e não ser só mais um ser humano apático”.

Inquieto, após a reportagem, o marido ouve as últimas palavras do apresentador do telejornal como quem espera o final de algo imperdível para tomar uma atitude importante. Ao escutar o emblemático “boa noite”, ele então pega o controle remoto e... aumenta o volume da televisão.

Site: ww.joaocassio.com.br.
Youtube: https://youtu.be/7W-M6NgqpJs.

Vídeos
1 vídeo


Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Comentários
0 comentários


Comentários via Facebook

2017 © - Atanews