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Coluna Social / 21 de Dezembro de 2016 14h19

REFLEXÃO

A era da superficialidade: lá eu posso ser quem eu quiser.

1 voto
Rafaela Félix
Araçatuba / SP
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23 matérias
Rafaela Félix
Rafaela Félix de Paula Santos, psicóloga, CRP: 06/119392, acompanhante terapêutica, mediadora e integrante da Oficina de Pais no Cejusc de Araçatuba. Pós-graduada em Terapia Familiar e de Casal, pelo Instituto de Terapia Familiar de São Paulo (ITFSP). Atendimento psicológico individual e familiar.
"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta" Carl Jung
Rafaela Félix , especial para o AtaNews
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A vida social é um tanto conturbada. Mas ninguém é capaz de viver isoladamente e ser feliz, precisamos nos relacionar, faz parte da essência humana a necessidade de conviver com os outros e isso nos torna único: a capacidade de ter emoções e sentimentos e expressá-las.

Para se ajustar a sociedade, muitos precisam vestir a superficialidade e seguir a vida. Fingem viver. Sobrevivem. Brincam com o tempo. E por falar em tempo, ele tem passado tão depressa, não é mesmo? Sinais do que temos feito, vivido em função dele e se esquecendo do que realmente importa. Passa-se mais tempo na superficialidade do que se vive de fato. Quanto tempo você passa por dia nas redes sociais? Quanto tempo você estuda e/ou trabalha por dia? Quantas horas por dia você dorme? Quanto tempo você realmente tem vivido?

A era virtual tem contribuído muito para isto. Lá as pessoas podem ser quem elas quiserem. A menina forte, superpoderosa, competente, bem sucedida, com o corpo perfeito, milhares de admiradores; que esconde a depressão, a solidão, as marcas em seu corpo para aliviar a dor, a autoestima lá em baixo, o suicídio. Mas como, como alguém como ela pôde fazer isso? Vivemos a superficialidade! É mais fácil, as pessoas aceitam mais, lá você é visto da forma que gostaria, lá você faz o seu personagem, se afasta da vida real, esconde suas dores e dissabores e se aniquila. É como se torturar aos poucos. Se esconde dali, esconde mais um pouco aqui, muda isso, acrescenta aquilo, e pronto, “agora sou quem realmente queria ser”. É como uma bola de neve, quando vê, já está enorme e cheia de coisas, é legal por um tempo, mas depois... ah depois, como voltar a ser eu mesmo?

Cuidado ao entrar nessa “vida paralela”. Há muita gente que se perdeu, não sabe mais quem é, o que fazer sem aquele personagem. Para os pais principalmente fica o alerta: o que seus filhos estão fazendo na internet? Quem eles são na vida virtual? Mas não só os adolescentes, muitos adultos também traçam uma trama que não existe, vive-se de aparências, fotos sempre belas e felizes, mas se for parar pra pensar. Aí vem os sustos da vida: Porque fulano fez aquilo? Como puderem se separar?

E toda esta novela virtual, tem sido levada para a vida real: as pessoas não vivem, sobrevivem, fingir viver. Os relacionamentos pessoais tornaram-se superficiais. Vínculos frágeis, pessoas feridas, super-heróis derrotados. Requer muita coragem conhecer a si mesmo, conhecer o outro e verdadeiramente se relacionar.
Rafaela Félix de Paula Santos
Psicóloga
CRP: 06/119392
Página: https://www.facebook.com/psicologarafaelafelix/

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